Noite Junto ao Estádio Municipal de Leiria

Fotografia Experimental

A Pedra e o Riacho


Uma pedra caiu, soltou-se da encosta.
Caiu verticalmente, à gravidade exposta.
Caindo, ganhou uma velocidade silenciosa.
Parecia inconsciente e nada ciosa
Do impacto que a esperava abaixo,
Onde nascia um tímido e imberbe riacho.

O estrondo foi tal como se previa!
A pedra em queda chorou como podia.
Saltaram-lhe as lágrimas emprestadas
Pelo riacho, que estava de mãos atadas.
Ela ficou obliterada e ele desconchavado.
A Pedra lascou, o Riacho perdeu o curso, deformado.

Da relação conflituosa a pedra desfez-se de desgosto,
Dela sobrou o seu centro, o seu coração agora exposto.
Ficou sentida desse impacto, do ressalto que a levou
E projetou para uma outra ravina, de onde não mais voltou.
O riacho lá recuperou. As suas águas mais abaixo se juntaram,
Também com a descida ganhou força e vigor. Nunca abrandaram…

A Pedra agora é areia, e o rio,
Nascido do riacho, agora é mar.
Envolvem-se, revolvendo-se, sem parar.
Recriam dramas e alegrias sem findar.
Fazem-no sem saber que este estágio
Está longe de ser um eterno adágio.

Abriu a Época de Natal

Abriu a época de caça! Coelhos e seus ovos descansam até à primavera. Agora ficam na mira as renas, para manchar de vermelho natalício a neve fria.

Dor de Cabeça Informática

Dói-me a cabeça quando passo pela tela…
Dói-me o cérebro! Como se isso fosse possível…
Dói-me do esforço desagradável de seguir a visível
Manifestação de pixéis, presentes nesta e naquela
Atividade de trabalho que se prolonga depois pelo lazer.
Doutro modo já não sei o que ao tempo fazer.
Mesmo o simples conviver e comunicar,
Faço-o pela informática, pelo teclado a clicar.

Quero descansar os olhos, mas já não sei.
Quero largar o computador e a dor que me causa.
Quero dizer aos outros, mas deixo-me ficar em pausa,
Sempre em frente ao monitor, àquela informática coroa de rei
Que nos oprime, Que nos obriga a curvar-nos perante a sua tecnologia.
E fico prostrado, esquecendo os sibilar da dor com aparente alegria.
Simulo o pensar no processador, sinto pelos gostos dos cliques,
Morro pelos vírus, enquanto me reciclo com máscaras chiques.