Alfaiate

Produtor de armaduras em tecido.
Artesão de fio em conjunto torcido.
Mestre do corte e costura,
Do disfarce que emoldura
O corpo dos Homens reais
E seus aspetos formais.

Coze com astúcia a veste,
Casaco a casaco, calças a calças,
Tenha botões, pregas ou alças,
Cada veste à medida própria única
Para cada ambiente, mesmo o agreste,
Mesmo o mais leve e adequado à túnica.

Do seu labor podemos partir,
Seguir pela aventura sem medo,
Rumo aos desafios por vir.
Podemos ir protegidos,
De confiança ungidos,
Pois recebemos aquela armadura,
Aquela maleável couraça que dura
E nos protege da desventura,
Do perigo para a integridade
Que aflige qualquer postura,
Pois em todas as posições
Apenas a pele protege as emoções.


Nota: Poema incluído no projeto "O Valor do Labor Tradicional", vencedor do Prémio Literário Padre João Maia - 2014

Agricultor

Criador do mundo rural.
Rude e agreste vida a sua
Onde se ocupa do natural
Labor, sem que possua
Mais que só terra e verde,
Apenas o trabalho que herde.

Agarrado ao chão
Ama-o com paixão.
Criou nele longas raízes.
Dele viveu tempos felizes,
Dele viveu amarguras de escassez,
Conheceu colheitas de viuvez,
Acumulou outras de abundância
Que lhe trouxe momentos de ânsia
Porque nunca conheceu a cupidez.

Da magreza da fertilidade
Mantém toda a comunidade,
Alimenta-os, garante-lhes os ofícios.
Garante a vida na aldeia,
A vida na cidade, seus edifícios,
Suas obras de arte e até a ideia,
Cultivada pelos distantes intelectuais
Olvidados do agricultor nos seus anais.


Nota: Poema incluído no projeto "O Valor do Labor Tradicional", vencedor do Prémio Literário Padre João Maia - 2014