Terra das Memórias Cruzadas

Pela Manhã.
As lembranças rasgadas
E obliteradas continuamente
Pelas ondas do oceano imemorial
Preenchem os vazios da saudade.
Os elementos eternos reavivados
Contrastam com a beleza dos adornos,
Da natureza que envolve os seres.
Este ambiente vive da água,
Do ar e da terra,
Cobertos de trajetos humanos.

Pela tarde.
O sal do mar tempera o seu génio.
O seu caracter revela-se em transparências
Amplificadas pela luz desta região,
No centro das importâncias relativas.
Aquele pinhal evasivo instalou-se nas gentes.
As sombras pintadas de verde
Protegem os tímidos e incentivam os audazes.
As dunas arejadas pela maresia
Criam palcos de exposição
A um sol que trata todos por igual.
O Liz é o ator dos múltiplos papeis,
Metamorfo dos tempos e da história.
O céu abre-se em melodia
Ritmada pela diversidade
Deste pequeno cosmos.

Pela noite.
Cai o sol afogado no horizonte,
Abraçado à lua ainda adormecida,
Enquanto cobre superficialmente,
Num último instante fugaz,
Tudo o que resta exposto à lembrança
Com raios que deixam saudade.
Assim se faz o ciclo
Contínuo de uma
Terra viva com memória.

Nota: Poema criado para o concurso "O Poeta da Saudade"

Preconceitos sobre Bogotá

Bogotá estava, aparentemente, assente sobre uma fundação de cocaína, tão dependente dessa droga como um ignorante das suas verdades absolutas.

Desabamento matinal

Quando cheguei,
Desabou tudo.
Fundo respirei
Saltei e corri.
Efervesci,
Por momentos mudo,
Por momentos gritando.
Depois de muitos depois,
A enxurrada,
resultante da lavagem à pressa,
Lá saiu porta fora.
Fiquei descansado enxaguando
Aquela destruição arrastada.
Então, sem mais demora,
Podia começar o dia.